Esses somos nós

Um projeto online está documentando a colorida história e cultura dos índios Orientais, os habitantes originais de Mumbai

Um projeto online está documentando a colorida história e cultura dos índios Orientais, os habitantes originais de MumbaiReena Pereira Almeida (Janak Rathod)

Reena Pereira Almeida não consegue apontar um momento como sendo aquele que lhe mostrou a importância de relembrar a sua herança. Foi uma série de incidentes e eventos, um após o outro, que o fizeram. Há dois anos, por exemplo, ela conheceu a história de Joseph Kaka Baptista, que se tornou prefeito de Bombaim em 1925 e estava no cargo por um ano. Ele era um lutador pela liberdade e estava intimamente associado a Lokmanya Tilak, diz Almeida, e foi ele quem cunhou o famoso slogan 'Swaraj é meu direito de nascença e eu o terei'. Esse fato foi uma completa surpresa para ela. Isso me fez pensar o que mais eu não sabia sobre minha comunidade, diz ela.

Desde que se mudou para a Austrália depois de se casar em 2010, Almeida vinha se debatendo com a questão de sua identidade. Não sou apenas um indiano, sou um católico romano do leste indiano. É uma identidade complicada e que me esforcei para explicar, diz ela. Quando ela teve sua filha há quatro anos, esta questão voltou com força renovada. Nasci e cresci no meio da comunidade, então conheço um pouco das minhas raízes, mas minha filha e outras crianças como ela não vão saber, diz Almeida.



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Esta e outras circunstâncias se juntaram em sua mente para formar a ideia da East Indian Memory Co. (EIMC), que foi criada no ano passado, em agosto. O principal objetivo do EIMC, diz Almeida, é documentar a história e a cultura distintas dos índios orientais em Mumbai e arredores, antes que eles desapareçam no caldeirão que é a Índia moderna. Para tanto, Almeida montou um site e contas no Instagram e no Facebook, onde faz postagens regulares sobre aspectos da cultura da Índia Oriental - da ardente Garrafa Masala à arquitetura tradicional de casas da Índia Oriental e à lugra, um espaço de 10 jardas sari, normalmente feito de algodão pesado, com um corpo xadrez e a borda kombriche paay (pés de galinha) quintessencial. Como parte da East Indian Memory Co., Almeida também vende mercadorias como pôsteres, calendários, diferentes tipos de masalas e roupas feitas de lugras. Isso, diz ela, serve apenas para financiar o trabalho principal - que é pesquisa e documentação. O ideal é que alguém cuide da venda, para que eu possa sair e colecionar histórias, diz ela. Seu trabalho já foi apreciado na comunidade e, no início deste mês, ela recebeu um 'Prêmio de Apreciação' do Mobai Gaothan Panchayat, que é o principal órgão organizacional da Índia Oriental.



Um projeto online está documentando a colorida história e cultura dos índios Orientais, os habitantes originais de MumbaiA mais antiga casa tradicional da Índia Oriental na freguesia de Girish

Almeida está na Índia há cinco meses para fazer pesquisas e está com seus pais em Giriz, um vilarejo nos arredores da cidade de Vasai, a mais de 50 quilômetros ao norte de Mumbai. Foi aqui que ela nasceu, foi criada e se familiarizou intimamente com os costumes de sua comunidade. Pessoas de outras partes do país muitas vezes não sabem da existência de uma comunidade como os índios Orientais. Muitas vezes somos confundidos com os goenses. Mas os goeses têm sua própria identidade e a boa sorte de um estado separado, onde podem reivindicar suas raízes. A cultura portuguesa também está mais enraizada neles do que em nós. Somos mais maharashtrianos, diz ela.

Parte do problema, diz ela, é a nomenclatura. Embora a maioria das pessoas fora de Mumbai tenha problemas para entender exatamente como uma comunidade baseada no extremo oeste do país pode ser chamada de Índio Oriental, dentro da própria comunidade não há consenso sobre a origem do nome. Alguns dizem que somos descendentes daqueles que trabalharam para a Companhia das Índias Orientais, outra explicação é que escrevemos uma carta à Rainha Vitória pedindo para sermos chamados de 'Índios Orientais' para nos distinguirmos dos Goenses, diz ela. Os fatos aceitos sobre a história, no entanto, são que a comunidade é uma das mais antigas nas sete ilhas que se tornaram Mumbai e que seus membros estavam entre os primeiros convertidos ao cristianismo na Índia, que se acredita terem sido convertidos por São Bartolomeu, um dos os 12 apóstolos de Jesus, séculos antes da chegada dos portugueses.



Um projeto online está documentando a colorida história e cultura dos índios Orientais, os habitantes originais de MumbaiThe ‘naach pori naach’ lugra dress designed by Reena Pereira Almeida (Source: Reena Pereira Almeida and the East India Memory Co.)

Integrada à missão maior de Almeida também está a intenção de deixar claro que a própria identidade das Índias Orientais compreende muitas subidentidades diferentes, como os Valkars, Kuparis, Vadwals e Kunbis. Ela diz: Todos nós temos pequenas diferenças. Por exemplo, cada uma das comunidades das Índias Orientais tem seu próprio dialeto. No Marathi puro, você diz ikde-tikde (aqui-ali), enquanto os Valkars dizem aila-taila, os Vadwals dizem ate-thate e assim por diante.

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Almeida acredita que o seu trabalho tem particular importância no momento atual. Fala-se muito sobre como é ser uma minoria na Índia. Diz-se que os católicos em Mumbai são amantes da paz, mas também somos passivos. Você encontrará muito poucos de nós tomando uma posição. Não estamos em nenhum livro de história, mas fazemos parte da própria estrutura desta cidade e ajudamos a moldá-la, diz ela.